sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Toledo e mais Toledo

Toledo é uma cidade espanhola bem bacana, que fica na província de mesmo nome, em Castilla-La Mancha. Suas tradições remontam aos tempos dos mouros, quando foi capital. Aliás, deixou de ser no fim do Século XVI, quando Madri passou a ser. Pode ser que estas informações estejam erradas, até porque estou sem internet enquanto escrevo e acabo tendo que puxar pela memória, que cá entre nós tem falhado bastante.
O fato é que, para quem não conhece, a descrição acima dá uma ideia do estilo desta cidade que fica a cerca de 40 minutos de trem da capital espanhola. História e beleza criada pelo homem em meio a uma paisagem natural deslumbrante. Nos meus sonhos de menino é o que eu realmente chamaria de Espanha.
Neste belo lugar estive em 2007, e fica claro aqui o quanto me encantou. Mas como o destino é um grande fanfarrão, uma semana depois de voltar da Espanha, e que não me ouçam os catalães (sim, eles preferem ser apenas catalães), pois eu estava em Barcelona, me toca cair novamente em Toledo, mas desta vez no Paraná, caminho de Foz do Iguaçu.
Não, novamente Toledo não é o destino, mas uma parada, e desta vez não vou negar que com muito menos brilho que o da homônima da “Terra de Cervantes”. De qualquer maneira não me resta dúvida que a surpresa foi positiva ao ver o hotel depois de uma noite mal dormida e cheia de perturbações que em nada tiveram a ver com a estrada, por sinal muito boa.
Chegar às 8h00 e dormir, quem me conhece sabe que é inviável, portanto o jeito foi ligar o computador e tentar produzir alguma coisa, ainda que com o ritmo bastante abaixo do mínimo aceitável para quem quer trabalhar com alguma qualidade. Fiquei até com dó da Deise, que teve que falar comigo pela manhã e encontrou um sujeito pouco simpático ao outro lado da linha.
O lado positivo é escrever o release de hoje e o post do blog sob a sombra de uma árvore, cujo tipo, raça, nome, sei lá o que, desconheço completamente, mas causa bastante prazer aos olhos, assim como toda a parte externa do hotel, muito bem cuidada e com uma grama que mais parece um carpete verde, na qual aproveito para sujar minha calça neste momento.
Isso, sim, é legal. Buscar coisas positivas em meio a conflitos pessoais, insônia, fim de semana de trabalho e todas as angústias, sejam elas pequenas ou grandes, mas que fazem parte de nossas vidas. Se a Toledo do Paraná é bacana? Não sei e provavelmente não vou saber, mas aqui eu me sentei à grama e não me preocupei com as inúmeras formigas que tenho que tirar das minhas pernas, mas apreciei as árvores, flores e pássaros que são seus, e nenhuma outra Toledo em todo o mundo poderá ter. Nem aquela milenar....
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Caindo pela esquerda
Assim como as pessoas, as cidades precisam de boa vontade dos olhos que a vêem para que deixem aparecer sua beleza e o que realmente são. E por que não dizer o mesmo de clubes de futebol?
Das outras vezes que estive em Barcelona, de uma forma ou de outra foi de passagem, ainda que permanecesse por alguns dias. Barça nunca havia sido meu destino, e de alguma maneira isto tira o foco da estada. Desta vez foi diferente. Apesar de ter coisas a fazer em Amsterdam antes e depois, o foco da viagem sempre foi a capital da Catalunha.
Outra coisa que mudou o panorama completamente foi a proximidade a pessoas que nasceram ou vivem aí há muitos anos e estão diretamente envolvidas com o FC Barcelona. Eu sempre me vi Merengue, apesar de os jogadores brasileiros que vi terem se destacado muito mais no Blaugrana que no Blanco. Vai entender, é gosto.
Acho que fica muito mais fácil explicar minha torcida pelo Madrid confessando aqui uma coisa que quem me conhece um pouco percebe nitidamente, e eu só aceitei realmente nos últimos dias. Eu sou de direita. Sim, eu sou um Tucano. Isto não me envergonha, mas nunca gostei de rótulos. De qualquer forma eu escrevo isto ouvindo Frank Sinatra no avião, voltando de Amsterdam para São Paulo, bebendo um vinho até que bom, e basta eu olhar na tela da TV desligada a minha frente que o meu reflexo na tela não me deixa dizer o contrário.
Bom, por já ter votado no Maluf, no Pitta, FHC, e tantos outros. Por ter torcido para o Jânio e usado sua vassourinha, e porque adorei quando “su majestad el Rey Juan Carlos” mandou o Chaves calar a boca (faltou ele responder: Tá bom, mas não se irrite...), tudo isso me credencia a torcer para o Real Madrid que, joder, é Real, quer mais direita que isso????
Mas desta vez eu tenho que admitir que flertei com o outro lado, e foi demais. E tem ainda um agravante que pode aumentar minha sentença à pena máxima. O ícone do lado de lá é um argentino. Aí está mais um motivo para eu não gostar de rótulos. Eu sinceramente acho que ele é um gênio e ainda tem pelo menos 10 anos jogando futebol em altíssimo nível. Não tenho dúvida de que em sua função é o maior em atividade e dificilmente haverá outro de mesmo nível enquanto ele estiver jogando, mas espera, não dá pra comparar o garoto ao Maradona e ao Pelé. Não tem a menor condição...
Claro que ele pode melhorar muito, e vai, o que já é suficiente para que ele esteja ali brigando entre os melhores. Mas será que as pessoas já se esqueceram do Pelé e do Maradona? Será que ninguém mais se lembra das jogadas estonteantes do nosso Rei do Futebol em espaço e tempo improváveis? Será que ninguém se lembra mais? Ele faria o Einstein repensar sua Teoria da Relatividade. Fazia o improvável e o impossível a qualquer outra pessoa.
E o Maradona? Joder, hombre! Força, habilidade, precisão. Ele era certeiro. E cá entre nós, fazia tudo isto com um estilo de vida que é problema seu, mas altamente discutível para um jogador de futebol. Imagina se ele só tomasse água e se alimentasse bem. Imagina esse homem dormindo bem por uma semana seguida.
Não dá. O Messi não é o Pelé e nem o Maradona, e nunca será. Mas será o Messi. Ele está entrando em um clube no qual qualquer discussão é pura bobagem. O futebol de hoje não comporta os dois grandes gênios do passado, cada qual com seu estilo único. O futebol moderno precisa de um Messi. Um jogador que saber ficar na média quando o time está bem, mas principalmente que sabe ser o melhor de todos quando o time está precisando. Foi isto que ele fez esta semana frente ao Arsenal. O menino marcou apenas 4 gols em um jogo de Champions League. E não foi batendo em galinha morta. Isso é o que se espera do melhor do mundo, que não se acovarde e resolva. Estilo cada um tem o seu...
Eu só acho que é necessário tomar muito cuidado para não cometer com o Messi o mesmo erro que já se cometeu com outros tantos grandes jogadores em todo o mundo, afinal de contas ele é um garoto de 22 anos. De qualquer maneira duvido que isso aconteça.
Só o que eu sei é que às vezes abrir a cabeça para o novo é importante e nós nos esquecemos constantemente disso, mesmo com relação a outros aspectos de nossas vidas. O que eu sei é que provei que o outro lado pode ser bem bacana, e no meu caso foi. Certamente refrescou minha alma e deixou um gosto muito forte de quero mais...
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Una semana después....
Bom, claro que esta semana foi uma loucura inacreditável e que eu não escrevi porque não conseguia nem respirar. Também conta o fato de que em um dia com muitas coisas legais e outras nem tanto, o negócio é escrever quando o espírito está leve, e nessa hora eu tenho preferido tomar uma cerveja...rs
A garotada do soccer camp chegou e segue uma programação show de bola, com treinos diários comandados por dois ícones da história do Barça. Um é o lateral De La Cruz, insubstituível em sua posição na década de 70 e que integrou durante um bom tempo a comissão técnica do clube catalão, chegando a dirigi-lo em uma oportunidade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_de_la_Cruz). O outro é Carles Rexach, Charlie, que fazia dupla com o Cruyff no clube e foi seu auxiliar técnico. Depois dirigiu o Azulgrana na temporada 2001/2002. Ele que estava no comando da equipe quando o Rivaldo marcou aquele golaço de bicicleta. Este vídeo tem uma homenagem bem bacana da TV3 (TV Català) http://www.youtube.com/watch?v=8DguQjZedS4, que merece ser vista.
Não preciso nem falar a aula de futebol que é cada comentário desses simpáticos sexagenários. Eles fazem as idéias e esquemas mais complicados parecerem a coisa mais trivial do mundo. E o melhor é que falam com você como se tivesse o mesmo nível deles. Então eu decidi: cara de conteúdo! Quando qualquer um deles ala comigo, e falam pra caramba, talvez assumindo que pelo fato de ser brasileiro eu entenda muito de futebol, eu presto atenção com cara de conteúdo, e quando eles menos esperam, eu faço uma pergunta que sempre me parece ridícula, mas que eles respondem com a maior naturalidade.
Acho que o melhor a se fazer é ter um pouco de humildade e tentar aproveitar o conhecimento deles até onde for possível. Mas o que me consola é ver que tem gente que deveria saber muito mais e também não sabe (que comentário egoísta e infeliz).
Bom, no domingo passado (28) eu assisti ao meu primeiro jogo válido por La Liga. Foi um 0 a 0 entre Espanyol e Racing. Até que o jogo não foi de todo ruim, mas você sempre espera ver gols. Se no empate magro a torcida faz uma baita festa, imagino como é quando saem na frente. Mas eu estou bastante confiante de que esta sensação eu vou conhecer neste sábado, quando vamos ao clássico independentista entre Barça e Athl Bilbao.
O mais legal é que quando você se envolve, e no nosso caso com muita gente do Barcelona, você passa por cima de algumas coisas. Por exemplo, eu sempre fui muito mais Merengue, mas não dá pra sair imune à atmosfera que envolve esta cidade. outra coisa praticamente inimaginável que eu fiz foi na hora de comprar a tradicional camisa de time para o Gi. Comprei a do Messi! Quando eu compraria uma camisa de argentino para o meu fiilho???
Seguindo a minha lavagem cerebral, que é promovida principalmente pelo De La Cruz, ou Tonio, ontem fomos ao treino do Barça. Sim, eles jogaram pela Champions na Inglaterra em um dia e no dia seguinte estavam treinando na Ciudad Deportiva. Claro que estas viagens sempre me fazem lembrar o velho e bom ônibus da Cristal, companheiro de tantas ocasiões, mas no caso deles eu acho que vieram embora de avião.
O mais legal foi ver a disposição dos jogadores para dar atenção à garotada. Todos passaram pelos 3 grupos de garotos que assistiam ao treino. Aliás isso foi um feito do Tonio, até porque ficou bem claro que ali não entra quem quer. E os jogadores foram, um por um, autografando e tirando fotos com os meninos. Outra coisa legal ali é o respeito aos jogadores do passado. Impressionante como as pessoas conhecem, gostam e fazem questão de estar junto, inclusive os jogadores que atuam.
Lá nos encontramos com o grande Julio Alberto, lateral esquerdo titularíssimo, que marcou esse golaço nas quartas da Champions contra a Juve na temporada 86/86 (http://www.youtube.com/watch?v=fdeQWhrum9I). Assim como todos ali, muito solícito, nos levou para um tour nas instalações ao fim do treino da equipe principal. E deste tour saiu a foto que ilustra o post. Tonio, Julio e eu. Sobre o Julio vale ainda ressaltar que, após ter sérios problemas com drogas ao fim de sua carreira, motivados por uma forte depressão, hoje ele é palestrante e participa de projetos que visam a “limpar” quem também sofre deste mal.
Independente do quanto se gosta ou se entende de futebol, um fenômeno muito bacana relacionado a ex-jogadores é que, por mais que haja toda uma parte teórica em tudo o que fizeram, a emoção é sempre muito forte em suas lembranças, e a sensações daqueles momentos acabam sendo muito mais intensas do que qualquer explicação que possam dar. O que eu quero dizer é que sempre que me encontrei e pude conversar com jogadores com estes, ou melhor, ex-jogadores, os olhos deles sempre foram muito mais sinceros do que suas palavras, e a atitude “boleira”, tão comum, já passou, como se caíssem na real depois que tudo aconteceu. Sem tirar os méritos de suas conquistas e, ao contrário, valorizando muito mais por saber que ninguém é tão imbatível quanto muitos pensam que são quando estão na ativa.
Amanhã é o grande dia. Hora de conhecer o Camp Nou em dia de jogo. Já estive lá algumas vezes e sempre minha atenção se dividiu entre sua beleza e a imponência de seu tamanho descomunal para nós brasileiros. São 98.000 pessoas confortavelmente acomodadas em cadeiras. Joder! Mas na verdade a sensação que eu tenho é aquela de quem é acostumado a ver os ursos no zoológico e em um determinado dia se depara com um solto à sua frente. Amanhã é dia de ver esta fera acordar!!!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Barça, Barça...
Já há 2 dias vivendo à base de toda sorte de fast food, até porque não se encontra comida típica nos Países Baixos, tentei em vão achar um bom restaurante na área de embarque do aeroporto de Shiphol, que deve dar pelo menos 6 vezes o aeroporto de Cumbica inteiro. Claro que não havia, e o jeito foi comer o velho em bom sanduba de bacon com alguma coisa. Neste caso, ovo...rs
Voo atrasado por conta de um possível problema na turbina, que não se confirmou, e a sorte de ter a última mala a sair na esteira de desembarque em Barcelona (não estou sendo irônico, foi sorte mesmo, na vez passada a mala simplesmente não chegou), por volta de meia-noite cheguei ao hotel. Ah, vale o registro de que voei ao lado de uma russa que tentava a todo custo aprender espanhol no avião para falar na viagem de uma semana a terra de Cervantes. Não preciso falar o fiasco...
Bom, e foi depois de chegar tarde ao hotel e receber uma chamada do Milton,que estava hospedado em outro lugar e com quem ainda precisava me reunir, que bati o recorde brasileiro do Hard Rock Cafe, que consiste em almoçar no de Amsterdam e jantar no de Barcelona. Fato batido este ano apenas pelo prazer de ganhar a Superliga Futsal às 19h00 em Betim (MG) e dormir às 23h00 com meu amorzinho em São Paulo.
Já na sexta nos mudamos para o Hostel onde ficarão todos os garotos do soccer camp (sim, trouxemos 40 japinhas para Barça), e a minha surpresa foi muito boa ao ver que ele é melhor que muito hotel que eu fiquei nos últimos tempos. Bacana pra quem quer conhecer a Europa sem gastar muita grana (http://www.barcelonaurbany.com).
O almoço finalmente foi uma comida descente em um restaurante chinês indicado pelo responsável pelos intérpretes do grupo. Comida excepcional. Parecida da vovó chinesa, se é que existem vovós da china. E o principal é que a dona do restaurante garantiu que não havia carne de Chow Chow e nem de Maltês, ou seja, minha consciência está tranquila.
Bom, na parte prática o dia deu certo. Bastante trabalho e agora eu oficialmente tenho um celular europeu. A operadora é Carrefour!!! O inacreditável é que ele custou 19,00 euros, sendo que 10,00 vieram de crédito. Coloquei mais 20,00. Parece nada, né... mas o minuto para qualquer telefone da Espanha custa 0,08, o que me habilita a falar mais de 30 minutos por dia até ir embora daqui. Quase igual ao meu plano da TIM do Brasil.
No fim, o que eu mais achei interessante foi a impressão que tive hoje pela manhã ao ir para a rua. Eu adoro Amsterdam, acho lindo demais, até digo que parece a cidade da Barbie. Tudo perfeito demais. Já aqui em Barça eu respirei fundo pela manhã e vi uma cidade muito parecida com SP. Claro que aqui existe um montão de problemas, como em qualquer cidade grande do mundo, mas parece uma SP de alguns anos atrás. Aquela do Mappin, do sanduba de calabresa no centro. Aquela que eu ia com a minha avó ao centro e era divertido. Claro que tem muita diferença, mas com certeza tem muitas coisas legais que também há em SP e algumas que já não existem mais. Outras coisas ruins também estão aqui, e os perigos são muito parecidos, mas o ar é de prosperidade.
Hoje, aqui em Barcelona, pela primeira vez eu percebi uma coisa que muita gente diz. A cidade é muito parecida com aquela que eu adotei e que me adotou também há tantos anos. Não sei por que, mas isso nunca me havia ocorrido. E para quem conhece um pouco da história do que era Barcelona antes de 1992 e hoje vê em que ela se transformou, fica a esperança de que um dia possamos viver assim também nas grandes cidades do Brasil.
Para este sábado a programação é treino da garotada com um pessoal do Barça, visita à Sagrada Família, Camp Nou e jogo do Barcelona pela TV. Já no domingo teremos jogo do Espanyol no campo (meu primeiro jogo na Espanha). Semana que vem é a vez de ver o Messi em ação, ao vivo...
quinta-feira, 25 de março de 2010
E começam os trabalhos em Amsterdam
Depois da cerveja que eu fui obrigado a tomar no aeroporto, em SP, tudo ficou mais tranquilo, ainda mais com os vinhos do jantar no avião. E eu que tenho dificuldade de dormir em viagem ainda tive a sorte de pegar a poltrona do corredor e sem ninguém na do meio. Só um padre com cara de bonzinho no outro corredor.
Chegando em Amsterdam fiz a tradicional entrevista na imigração, desta vez mais rígida porque da vez passada eu tinha conexão e estava atrasado, aí pude passar pela “imigração expressa”, que al fin y al cabo, como dizem os espanhóis, só quer saber se você vai embora logo do país. Mas desta vez teve as perguntinhas do vestibular pra entrar.
Uma vez aqui, peguei um taxi e fui para o hotel. Desta vez fiquei no Hotel Rokin, que fica na rua de mesmo nome, uma das mais movimentadas da cidade e a poucos quarteirões do Red Light District (aquele onde as moças de pouca fé se mostram em janelas) e também da praça Rembrandt, onde há muitos Coffee Shops. Como eu pude imaginar, localização boa + preço justo = hotel sem muito conforto. Nada que comprometa, mas a trabalho é melhor ficar em hotéis melhores. De qualquer forma, no fim da noite valeu a pena.
Tive uma reunião importante, afinal de contas não estou passeando, e tudo aconteceu da melhor forma possível. Quando tudo estava resolvido tomei as primeiras garrafas de Heineken com os parceiros. De onde estava até o hotel poderia pegar um taxi, o Tram, ou caminhas uns 50 minutos. Fui na terceira opção porque o caminho é muito legal. Fiz uns pit stops, com direito a reidratação. Em um dos bares, onde já tinha parado mais cedo para um café, descobri que um barman é brasileiro, mas nem conversamos muito.
Quando cheguei ao hotel me dei conta de que estava há cerca de 12 horas, desde o avião, sem comer, o que automaticamente me deu aquela sensação de estômago colado nas costas. Neste exato momento estava no MSN com a Debs, que queria ir lá em casa ontem jogar Beatles no PS3. Nem sei se acabou indo....
Andei um pouco e acabei comendo um Whoper, no BK. Como a Holanda não tem pratos típicos você sempre acaba caindo em restaurantes de comida internacional, principalmente argentina, e neste caso fui no velho e bom sanduba. Depois voltei para a cervejinha. Algumas na praça Rembrandt, depois em um pub que eu descobri andando. Na verdade o que me chamou a atenção foi o som. Entrei e pedi o primeiro pint. De repente me dei conta de que só havia homens no lugar. Cheguei a pensar que fosse um bar gay, mas não era...rs
Ali fiquei por algumas horas. Bebi e conversei com a moça que atendia todo mundo muito bem no balcão, haja boa vontade pra conversar com um monte de bêbados. O interessante é que os bares têm um fumódromo, que é uma espécie de cabine onde o povo se tranca pra fumar. O cara que sentava ao meu lado ficava mais tempo lá dentro do que bebendo, e é claro que isso acabou com um belo vômito, por sorte no jornal que ele lia.
À 1am o pub fechou e dali, ainda cansado pela viagem, mas sem muito sono pelo fuso, fui ao Red Light pra ver o movimento. Na verdade, como eu já relatei nesse blog, é uma região muito mais turística do que de prostituição propriamente dita. Os bares estavam todos fechando, quando um, que já estava fechado, abriu para que eu entrasse. Não vou negar que fiquei meio receoso quando o Mike, um africano que vive em Ams há um tempão abriu pra mim. Pedi uma pint, que veio com uma porção generosa de amendoim. Conversamos bastante, e obviamente ele só queria saber de futebol do Brasil. Quando ia embora ele ainda me deu uma cerveja pequena “on the house”, e isso retardou minha saída por alguns minutos...rs
De lá para o hotel foram não mais que 5 minutos, compensados com uma boa noite de sono. Hoje viajo a Barcelona, onde fico até dia 6, quando volto para cá. Como não rolou o late check-out eu tive que sair do hotel e descolar um lugar para usar a net. Depois do almoço no Hard Rock, que lamentavelmente não tem wi fi, eu vim ao famoso Bulldog Coffee Shop onde a net é free.
Agora vou correndo buscar minhas coisas e ao aeroporto. A viagem só tá começando....
terça-feira, 23 de março de 2010
Primeira parada, Amsterdam!
Leva os cachorros para passear, se incomoda com o material da viagem que não chega, vai ate o centro trocar dinheiro, corre para o banco (e Deus abencoe o Prime!), busca a mae da Camila, vai ao Pari, faz a autorizacao pro Giovanni voltar para os EUA (sim, ele vem ao Brasil e eu vou do Brasil). Ai finalmente um momento tranquilo.
Almoco na padaria Nova Balnearia, antiga Luso Balneraria. E para minha surpresa ela nem de longe se parece com o chiqueiro que foi um dia. O dono eh o filho do Sr Manoel, sujeito saudoso que vendia bebida e cigarros para nossa turma quando estavamos no colegial. Antes e depois da aula...rs e o mais legal eh que o velho e bom Bigode segue comandando a chapa. Um pouco menos romantico, ja que agora não tem mais o famoso bigode, assim como a unha afiada do dedinho. Não vi, mas acho que tambem não mexe mais no pernil com as maos. Mas ainda eh o Bigode. Merecia ate uma cerveja. Falei com ele e ele fingiu que se lembrava de mim.
A vinda ao aeroporto ficou por conta do Samuel e da minha mae. Legal para descontrair. Eles estao naquela idade em que ja se para na vaga de idoso, mas não quando tem mais alguem junto.
No aeroporto tudo mais tranquilo que o normal. Fila nenhuma no check-in, os dois motoboys que tinham que me encontrar chegaram sem problemas, e quase ao mesmo tempo.
Agora, ja na sala de embarque, tenho uma hora ate embarcar. O aviao ainda não esta aqui, mas o pensamento eh positivo. Depois de algum stress acho que mereco iniciar os trabalhos. Provavelmente um vinho para dar sequencia no jantar da KLM, que nem eh tao ruim assim.
Se nenhuma surpresa acontecer nas proximas duas horas, eu so tenho que colocar no piloto automatico ate chegar a Amsterdam. Eh bom relaxar, porque la a correria promete....
Enviado do meu BlackBerry® da TIM
terça-feira, 9 de março de 2010
O irmão mais novo no País do Futebol
A emoção também acontece em pisos rápidos, coloridos, que mais se assemelham às pistas de dança dos clubes onde o ritmo frenético é ditado por batidas fortes e notas que nem sempre entendemos, mas que elevam o espírito a alturas extremas, inimagináveis. Pistas nas quais o suor é o primeiro dos prêmios que está por vir. Democrático, este chega para todos que se esforçam, todos que contribuem. Independe do resultado.
No “País do Futebol”, seu irmão mais novo também conhece os caminhos da emoção. Esperto, ligeiro, sedutor como só ele pode ser. Traz em si o frescor da juventude e a molecagem que no mais velho se via em tempos distantes, de linguagem formal e imagens em branco e preto. Suas traquinagens também atraem milhares de torcedores apaixonados, e embora sua pretensão não seja superar o primogênito em tamanho, ele insiste em ser o mais alegre.
Assim é o futsal. Despretensiosamente maroto, surpreendentemente apaixonante. Nele se constroem reinados, ídolos e lendas. Dele despontam grandes talentos, inúmeras vezes exportados para seu irmão maior, aquele mesmo, que em épocas escuras lembrou ao povo brasileiro que o talento e a força para ser o melhor está dentro de cada um de nós, ainda que tudo leve a crer no contrário. Mas nele também ficam grandes astros, que expõem sua arte a espectadores atônitos frente a tanta habilidade.
Dizem que um bom time começa com um bom goleiro, o que dizer então do time que tem o melhor entre os arqueiros? Como descrever aquele que tem reflexos de felino e flexibilidade acrobática, capaz de levantar uma torcida por evitar um gol, ou dois, ou três? O heróico anti-herói do esporte. E como descrevê-lo, então, se além das mãos, os pés também encontram o parceiro melhor posicionado, ou mesmo a meta adversária? Utópico? Não, Tiago. E ingrata é a tarefa de substituí-lo, ainda que com toda a competência de Marcinho e Bazílio.
Mas justiça seja feita, nem mesmo o melhor dos goleiros, sozinho, pode impedir a derrota. Ele precisa da proteção de seus fiéis escudeiros. Ele precisa de pequenos gigantes, como Leco, ou de batalhadores incansáveis, como Chico. Talvez um pequeno gladiador, de jeito simples, fala mansa e um motor que não pára nunca, como um Lucas. O melhor goleiro merece contar também com a maior experiência, merece um guerreiro que traga no sangue a nobreza enraizada da nossa terra, ele merece a proteção de um Índio.
Para chegar ao ataque, o caminho pode ser a elegância jovem chamada Dian, ou a força inteligente de Bruno Souza. Talvez por meio da timidez que se desfaz nos tiros potentes de Jonathan. Mas por que não a velocidade que leva o mesmo nome e número de um dos grandes gênios dos gramados, como o “7” Bebeto? Ou talvez Valdin, o “filho pródigo”, que parece que nunca foi embora. E claro que todos os caminhos levam ao gol quando se pode contar com um craque instintivo como Falcão.
Lá na frente ficam os demolidores de paredes, aqueles que tiram do adversário qualquer possibilidade de defesa. E a demolição pode vir de forma informal, rápida, provocativa como só Marcio sabe fazer. Ou pode ser sutil, elegante, em lances que muitas vezes desarmam até a torcida adversária, que se rende à genialidade única de Lenísio, o craque que também é mestre na simplicidade.
Assim é o irmão mais novo do futebol. Assim é o futsal. Nele brilham talentos tão grandes, que fazem a inevitável comparação entre os dois completamente sem sentido. Nele brilham jogadores apaixonados e apaixonantes, únicos. Nele brilham equipes que em suas camisas trazem a tradição conquistada ao longo de uma história só dele.
E a Malwee/Cimed Futsal, mais do que uma grande conquistadora de títulos, orgulha-se de dar sua contribuição, e com a quarta conquista da Superliga, escrever mais uma página desta história.
sexta-feira, 5 de março de 2010
A história construída por um sorriso
Esta é a teoria. Igualitária e bonita. Todos fazemos com que a história se construa incessantemente. Mas o que se quer mesmo é “fazer” história. O que cada um quer é ser ator principal de um conto atraente, cheio de vida. Todo mundo quer ser o melhor naquilo que faz e fazer aquilo que faz melhor. Um círculo virtuoso.
Para fazer história em todo o mundo, talvez seja necessário ser Napoleão, Churchill, Pelé. Conquistar o mundo, ou evitar que seja conquistado por forças inimigas. Também pode-se ganhar o mundo sem sair de casa. Logo ali no Maracanãzinho. Vencer uma batalha quase sangrenta. Dar uma gota de suor fundamental para a grande vitória. Sem esquecer que para que os grandes atores brilhem sob os refletores há uma equipe que trabalha muito além dos quarenta minutos finais, e muito além das quatro linhas.
Muita gente deposita seu tempo, sua dedicação e seu talento em uma conquista em que poucos aparecerão. Mas é assim que funciona, e é sabido que para um grande herói sempre há alguns grandes ajudantes, de mesma importância. São os heróis dos nossos heróis. Os anônimos tão importantes para que os campeões sejam campeões no fim das contas.
Mas a história não precisa ser gigantesca, pode ser apenas de uma cidade, uma comunidade, um pequeno grupo de pessoas que jamais esquecerão um momento. A história pode ser feita para meia dúzia de crianças que se aglomeram para tirar uma foto à frente de um ônibus que leva seus grandes ídolos. Ela pode acontecer em uma escola pública, onde pessoas simples dividem tarefas para servir um almoço a quem admiram. Talvez em eventos que se sucedem de forma irracional, quase insalubre, para que pessoas que jamais tiveram contato com o brilho de grandes astros, aqueles que são vistos por todas as partes do mundo, possam ter sua luz refletidas em olhos incrédulos.
Ainda que o propósito nem sempre seja coerente ou nobre. Ainda que as coisas aconteçam por motivos muito distantes do que parecem ser, nada disto importa. O que de fato importa é o que fica. O que realmente importa é a história que cada um escreve, e principalmente a forma como faz com que ela aconteça. A história não se faz com um simples autógrafo, mas com o sorriso e a atenção dispensada a quem admira outra pessoa a ponto que querer uma lembrança tão simples quanto um nome escrito em uma roupa ou um pedaço de papel. A história se faz com o sorriso no momento mais difícil, quando o acúmulo de cansaço ou a dor física impedem que qualquer felicidade se expresse espontaneamente, mais ainda assim, com a força que vem da consciência de sua importância, o sorriso sai.
É assim que se faz história, e estes são os grandes heróis, tanto os que sorriem quanto os que trabalham para que este sorriso aconteça, lembrando por fim, que a história, como as grandes conquistas, constroem-se em pequenas comunidades, fazendo com que pessoas comuns se sintam mais próximas de quem mais admiram.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
O Mundo logo ali...
O ano passado foi recheado de emoções. Muitas novidades, principalmente no que diz respeito ao trabalho. Algumas viagens eu relatei neste espaço, outras não, assim como coisas que eu pensava e hoje, lendo novamente, já não penso exatamente da mesma maneira. Mas assim é a vida. Dinâmica.
Esta semana acompanhei uma viagem da Malwee a uma pequena cidade de Santa Catarina chamada Vidal Ramos. Fica pra lá de Ituporanga. Isso mesmo, se você não conhece nem Ituporanga, imagina onde é Vidal Ramos!
Hoje sairemos à meia-noite com destino a Siqueira Campos, no Paraná. Depois será Londrina. Jogos de preparação para uma competição que acontece em outra cidade: Betim (MG). Esta de 3 a, no máximo, 7 de março, caso o time chegue à final da Superliga.
É um começo agitado, mas ainda assim bem tranquilo se comparado a anteriores. Depois será mais de um mês antes do início da Liga Futsal, que começa em meados de abril e vai até novembro. Antes disso devo fazer outra viagem, desta vez pela FutBiz. Esta um pouco mais distante e por volta de duas semanas. Tudo isto para lembrar que o ano só está começando. Já tem um montão de coisas previstas para a frente, sempre com algumas horas de voo rasteiro, senão não tem graça!
O bom é que de vez em quando dá pra passar lá em casa, em SP, de onde eu não tenho vontade de sair nem para ir até a piscina. Tem gente que não entende, e minha Senhora é uma, mas às vezes não há nada melhor que dar a volta ao mundo sem sair do sofá, apenas zapeando a televisão...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
La Noche del 10
Para deixar claro, sou Pelé até a morte, mas admiro também os outros gênios do futebol, e o Maradona, sem dúvida, é um deles. Mas eu acho que com aquela vitória da Argentina sobre o Uruguai fechou-se um ciclo muito mais importante e não tão comentado. O ciclo da recuperação. É claro que não é surpresa a Seleção Argentina conquistar uma vaga na Copa do Mundo. Aliás, a vaga é dela. Assim como a do Brasil é dele. O estranho seria uma destas equipes não se classificarem.
Mas e o cara que foi o melhor do mundo, depois passou por uma fase ruim com drogas, voltou muito bem na Copa do Mundo de 1994, foi punido por doping, passou por toda sorte de desventuras, até voltar à Seleção como treinador e levar o time à Copa do Mundo de 2010? E se ainda pensarmos que nas duas últimas partidas os gols saíram dos pés de jogadores que ele colocou para jogar no meio da partida? Será que ele não tem méritos como técnico? E se pensarmos em uma Argentina jogando totalmente fora de suas características por um bem maior, como aconteceu ontem? Será que qualquer outro treinador conseguiria fazer a albiceleste jogar aplicadinha na defesa, jogando com o bumbum na trave?
E vale gastar alguns minutos refletindo sobre a coragem do Maradona, afinal de contas poucos jogadores aceitaram correr este risco, e muitas vezes nós, pessoas comuns, com muito mais a provar, acabamos nos acovardando frente aos desafios mais simples. Mas talvez esta seja mesmo a diferença entre pessoas comuns e grandes gênios.
No fim, fica a vontade de ver o Maradona colocar a cereja neste bolo e participar de mais um Mundial, desta vez comandando sua equipe do banco de reservas. E só para registrar, a Seleção Brasileira se classificou para a Copa do Mundo de 1994 desacreditada como a Seleção Argentina, e ganhando do Uruguai...
terça-feira, 13 de outubro de 2009
As belezas do caminho
sábado, 3 de outubro de 2009
O Brasil e os grandes eventos esportivos

Nem mesmo o Presidente pop-decadente Barack Obama, que defendia a candidatura de Chicago (My Kind of Town) foi capaz de segurar o furacão tupiniquim. E aos poucos Tóquio e Madri também foram ficando para trás. É claro que isto é sintomático, o Brasil está na moda. Mas a questão que fica é: qual o legado de uma olimpíada para o país do futebol?
Quando se fala em evolução de uma cidade provocada pelo esporte, o caso mais clássico é de Barcelona, que sediou os Jogos Olímpicos de 1992 (sim, aqueles mesmo do Gustavo Borges). A cidade, que segundo quem a conhecia, era ultrapassada e suja, transformou-se em uma verdadeira metrópole mundial. Pouco antes de visitá-la pela primeira vez, conversando com o bicampeão olímpico Maurício Lima, do vôlei, durante o Pan, no Rio de Janeiro, ele exaltava a organização e as instalações do Pan, dignas de uma Olimpíada.
Pois assim que o Pan terminou viajei a Europa com a Camila e uma das primeiras cidades que conhecemos foi exatamente a capital da Catalunha. Ficamos impressionados com o quão moderna ela é, mas também pudemos constatar que algumas das instalações Pan-americanas realmente estavam à frente das olímpicas, com destaque ao Engenhão, que supera o Estádio Olímpico de Barcelona sem a menor cerimônia. Claro que estamos comparando uma edificação de 1992 com outra de 2007, mas dada a diferença de grandeza entre os eventos e de prosperidade entre os países, a vantagem brasileira me surpreendeu.
Com relação aos ginásios construídos para os dois eventos, a vantagem também é brasileira, com a Arena Multiuso dando um verdadeiro banho em sua similar espanhola. Mas o ponto não é qual estádio, ginásio ou piscina é mais moderno. A grande questão é o qual a herança que fica para o país sede, afinal de contas todo o investimento e esforço empenhados devem deixar muito mais do que um monte de concreto.
Obviamente todos os 25 bilhões de reais investidos nas Olimpíadas cariocas gerarão milhões de empregos em todo o Brasil, melhorando a qualidade de vida de muitas famílias, o que por si já serve como uma boa desculpa para tamanha “excentricidade”, afinal de contas de uma certa maneira gerar empregos é muito melhor do que a política assistencialista demagoga adotada pelo Governo Lula ao longo de todos estes anos. Mas um evento deste tem que deixar uma herança que, embora se proclame o contrário, o Pan não foi capaz de deixar.
É preciso tocar o âmago da cultura brasileira. Não apenas carioca, mas de todo o país. É preciso poder andar com segurança nas ruas do Rio de Janeiro. É preciso ter um transporte público que atenda com dignidade a população e os turistas, que ao contrário do que se pensa não querem e não são acostumados a andar somente de táxi. É preciso que em uma das cidades com maior potencial turístico de todo o mundo, e sem dúvida a mais bela em recursos naturais, ao menos se possa ser atendido em inglês e em castelhano. É mais do que preciso que se entenda que não é agradável sentar-se em um belo quiosque à beira-mar, com garotos pedindo esmola a todo momento e pseudo-artistas tentando de todas as formas levar um troco.
Este é o grande legado dos Jogos Olímpicos. E dá tempo para se fazer muito. Está na hora dos jornais pararem de ir pesquisar o que os argentinos acharam da eleição do Rio e se virarem para as comunidades mais carentes da Cidade Maravilhosa para perguntar o que eles entendem de tudo isto e o que esperam que melhore em suas vidas. Já nos sentamos demais para apontar o dedo para os outros. O Brasil não está apenas nos pés dos gringos e gringas descolados. Ele está também na cabeça. O Rio de Janeiro é, sim, o nosso cartão postal, mas já está na hora de ser muito mais. E o esporte pode ser o passaporte para sua evolução e revolução. São os três maiores eventos possíveis em apenas nove anos. Um fato inédito em todo o mundo.
O Pan-americano mostrou que o país pode sediar grandes eventos, mas pouco deixou para a cidade além de boas recordações e uma grande estrutura que se deteriora diariamente. A Copa do Mundo de 2014 é vista e tratada como a grande cachaça do povo, apesar de poucos se darem conta disso. Ela também mostra como ainda estamos despreparados para regras rígidas. Vide o caso do Morumbi, em que a diretoria do SPFC achou mais fácil, em princípio, tentar enganar o povo e jogá-lo contra a FIFA do que apresentar uma proposta decente, que demorou a sair. E aí vai uma verdade que se pode constatar em qualquer lugar desenvolvido onde o futebol é tratado com seriedade: o Morumbi é uma charrete, e o Maracanã um fusca gigante! Até Wembley já foi para o chão!!!
Resta agora que a organização dos Jogos Olímpicos não incorra nos mesmos erros e dê ao Brasil muito mais do que pão e circo.
domingo, 13 de setembro de 2009
Um fenômeno desconhecido

Rubens Barrichello é um nome que sempre causa bastante discussão em um país onde ao lado de 170 milhões de treinadores de futebol há o mesmo número de comentaristas de Fórmula 1, credenciados, é claro, por oito títulos mundiais conquistados por Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e pelo grande mito Ayrton Senna. Eu, como um entre tantos “comentaristas”, e que me desculpem Lito Cavalcanti, Reginaldo Leme, Claudio Carsughi, Téo José entre outros, também estou aqui para dar o meu pitaco. Mas quero falar um pouco sobre este piloto que foi duas vezes vice-campeão correndo ao lado do maior de todos em números, Michael Schumacher, não pelo brilhante fim de semana na Itália, nem pelo brilhante fim de semana na Espanha, ou talvez pelo bom fim de semana na Bélgica. Eu quero voltar um pouco mais no tempo.
Acho importante lembrar do Rubens de 6 anos de idade que ganhou seu primeiro kart do avô, e só conseguiu apoio de seu pai após as três primeiras corridas, que lhe renderam um treceiro lugar, um segundo, e sua primeira vitória, respectivamente. Ali o Rubão viu que seu moleque levava jeito pra coisa. E foram nada menos que 8 temporadas com cinco conquistas nacionais e três vice-campeonatos. Nada mal para um garoto com condições financeiras abaixo da média dos concorrentes.
Em 1989, aos 16 anos, sua família deu um jeito de comprar um Fórmula Ford para ele correr no Brasil. O carro era usado e um tanto despretensioso, mas o destino se encarregou de dar uma forcinha e a transportadora oficial deixou seu monoposto cair do caminhão. O resultado foi um carro novinho em folha para o jovem Rubens. Ele retribuiu o presente do destino com uma vitória em sua primeira corrida na categoria e o terceiro lugar no campeonato.
Sua performance, usando um termo que está na moda, diferenciada, rendeu-lhe a oportunidade de se mudar para a Europa, onde disputou o Campeonato Europeu de Fórmula Opel. Mas as coisas ainda eram difíceis e as condições só permitiam que ele fosse sozinho desbravar um novo mundo, o velho mundo. Neste ano, 1990, aprendeu a falar italiano, foi campeão, mas dormia na garagem da equipe com um cachorro e só podia guiar porque usava a carteira do seu pai, que além de se parecer muito com ele, tem o mesmo nome e também nasceu no dia 23 de maio. E há quem chame isto de coincidência.
No ano seguinte mudou-se para a Inglaterra, onde defendeu a equipe West Surrey Racing, na Fórmula 3. Sem conhecer o idioma, seu melhor amigo era um surdo-mudo, que devia saber muito bem pelo que ele estava passando. E mais uma vez ele foi campeão estreando em uma nova categoria. Desta vez o mais jovem até então.
Em 1992 disputou o Campeonato Europeu de Fórmula 3000, que era a principal porta de entrada para seu principal sonho, a Fórmula 1. De volta à Itália e finalmente morando bem, Barrichello não contava com um carro dos mais competitivos, mas o terceiro lugar no campeonato, aliado a todo o seu histórico, abriu os olhos das equipes da principal categoria do automobilismo para aquele paulistano torcedor do Corinthians.
Em 1993, estreando pela Jordan-Hart, ele estabeleceu quatro objetivos para sua carreira: 1º - conquistar pontos; 2º - chegar ao pódio; 3º - vencer uma corrida; 4º - ser campeão mundial de Fórmula 1.
O primeiro objetivo conquistou ainda na primeira temporada, no Japão, com dois pontos. Antes disso, porém esteve muito perto de um feito extraordinário, quando no GP da Europa, em Donington Park, na Inglaterra, mesma prova em que Ayrton Senna fez a primeira volta mais espetacular que já vi e chegou a dar uma volta no segundo colocado Damon Hill, Barrichello estava em segundo e quase conquistou seus dois primeiros objetivos na Fórmula 1 em uma só corrida, mas o carro não aguentou. (vale a pena ver a volta do Senna http://www.youtube.com/watch?v=1BzSSfJ7Gpw)
O pódio chegou em abril de 1994, pouco antes de sofrer o pior acidente e a maior perda de sua vida no mesmo fim de semana, em San Marino. Seu acidente brutal no treino de sexta-feira e a morte de Roland Ratzenberger na classificação do sábado (http://www.youtube.com/watch?v=yip0UwGCGIk) foram o início de três dias que ficarão marcados na história do automobilismo e do esporte brasileiro, pois culminaram com o desaparecimento do maior gênio que o esporte brasileiro já produziu, Ayrton Senna.
Considerado um dos mais promissores pilotos de sua geração, em 2000 Rubinho foi para a Ferrari, onde ficou por seis temporadas, sendo o segundo colocado na classificação geral por duas vezes, em 2002 e 2004. Lá também conquistou 9 vitórias, 25 segundos lugares e 21 terceiros.
Em 2005 decidiu buscar novos ares, onde pudesse ao menos lutar por seu quarto e último grande objetivo na Fórmula 1. Hoje está com 37 anos de idade e mais competitivo do que nunca, brigando realmente pelo título mundial. Corre por amor, não precisa do dinheiro e não precisa da fama, mas se submete à dura vida de piloto de corrida por acreditar em si e para seguir em busca de seus sonhos.
Claro que uma carreira não é feita apenas de brilhantismo, e os erros a mais de 300km/h aparecem muito mais do que em um escritório ou um estúdio com ar-condicionado. Os erros fazem parte da vida dos Rubens, dos Denis, dos Carlos, das Andréas, das Márcias e até dos Ayrtons, mas a virtude está em aprender e dar a volta por cima, como muito bem está fazendo o Barrichello, com ou sem título.
Minha torcida segue com ele, e também aposto minhas fichas...
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
O papel social do esporte

Obviamente o mundo ideal é cada vez mais utópico e enquanto muitos se beneficiam da sensível diminuição de distâncias, que promove o conhecimento e a experimentação de estilos de vida que pareciam praticamente intangíveis há alguns anos, outros ainda sofrem com a falta de condições básicas para uma vida digna, e este fenômeno, ao contrário do que pode parecer, não se restringe a países pobres ou em desenvolvimento, como os da América Latina, África, Ásia e Leste Europeu.
Não é possível imaginar os países mais desenvolvidos como se fossem ilhas da fantasia, onde não há espaço para problemas sociais, que não passariam de manchetes de páginas internacionais de jornais e de grandes canais internacionais de notícias. As dificuldades, por algum motivo, estão lá também. Fazem parte de bairros pobres dos países ricos e dos lugares menos visíveis a turistas, muitas vezes de países como o Brasil, que visitam lugares onde acreditam haver apenas prosperidade.
Uma notícia que me atraiu a atenção nesta quinta-feira foi a visita do piloto britânico Lewis Hamilton à Copa do Mundo dos sem-teto, em Milão. Na foto acima ele aparece rodeado de competidores que, em sua essência, já são grandes vencedores por estarem participando deste evento. E quando se fala em uma competição como esta, normalmente o que vem à mente é que se trata prioritariamente de jogadores originários de países nos quais o desenvolvimento é precário e as condições de vida injustas com a maioria da população.
O fato é que eu assisti, recentemente, a algumas partidas da “Homeless Dutch Cup”, que nada mais é do que a versão holandesa do futebol dos sem-teto, que aconteceu em Amsterdam, no mês de agosto. Ali, como já relatei no próprio blog durante a viagem, foi possível constatar que mesmo em um país pequeno e rico, que transpira futebol por todos os poros, há um verdadeiro abismo entre as classes mais pobres e a classe média.
O que me impressionou, de fato, foi a estrutura montada para o evento. Uma arena em uma das praças mais movimentadas da cidade, aberta ao público, com camarote para convidados especiais e ampla cobertura da imprensa. Também havia patrocínio de grandes empresas ligadas ao esporte, como a NIKE. Tudo favorecia o comparecimento do público, e como se trata de um evento com bom planejamento e execução, o sucesso estava garantido antes mesmo de a bola rolar. Durante as partidas era evidente o orgulho de todos os participantes, que jogavam duro, mas com lealdade. Ao fim dos jogos sempre havia uma foto coletiva entre os adversários e o reconhecimento dos torcedores quando os participantes saiam da quadra. É claro que um evento como este, além de arrecadar fundos com patrocínios e venda de material de merchandising, também alertava para o desafio social e melhorava a auto-estima daqueles que nem ao menos têm onde morar, mas que naquele momento eram verdadeiros astros.
Pude também conhecer melhor o projeto social do jogador Edgar Davids, que não se distanciou de suas origens e ajuda centenas de garotos que estão em busca de um futuro melhor. E como ele faz isto? Com esporte, claro! São jovens que desenvolvem suas habilidades por meio do street soccer e, ainda que não se tornem campeões, aprendem a lidar com disciplina, respeito ao próximo e, principalmente, percebem que cada um impõe seus próprios limites, e por isso todos são capazes de chegar ainda mais longe. O melhor de tudo isso é que a estrutura para um projeto como este é bastante simples e de baixíssimo custo. Apesar de possuírem os recursos para melhorar a vida das pessoas com altos investimentos, lá eles preferem usar a criatividade e desenhar projetos altamente aderentes a comunidades menos abastadas e até a países como o Brasil e tantos outros.
Trata-se apenas de uma bola, um tênis, um professor e muita vontade de jogar. É lógico que existe toda uma metodologia envolvida, mas esta também está disponível. Empresas como Burger King e Red Bull investem, favorecendo ainda mais o sucesso, mas ainda para elas os valores envolvidos e o retorno são bastante convidativos.
Os atletas renomados entram com sua imagem e todo o resto funciona com profissionais comprometidos que vêem em ações como esta uma oportunidade de fazer do mundo um lugar um pouco melhor para se viver. Isto acontece em países ricos da Europa e nós nem ao menos sabemos. Hoje, milhares de pessoas tomaram conhecimento do futebol para sem-teto por conta do Lewis Hamilton. A pergunta que fica é quantos projetos como este existem no Brasil e são tocados por anônimos, que se sacrificam para dar a outras pessoas uma chance que muitas vezes não tiveram. Certamente não são poucos.
Sei que existe um projeto muito legal de boxe no Vidigal, Rio de Janeiro. Também sei que há muitos relacionados a futebol nos mais diversos cantos do Brasil. Todos dão oportunidades a quem talvez não viria a ter outra em toda a sua vida, e mais que formar atletas, eles formam cidadãos que se distanciam da criminalidade.
Indo para outro lado, tive o imenso prazer de conhecer, em 2008, por meio do querido Bebeto, campeão mundial de futebol pela Seleção Brasileira, em 1994, o Instituto Bola Pra Frente (http://www.bolaprafrente.org.br/), para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Trata-se de uma estrutura de mais de 11.000m2 no bairro de Guadalupe, Rio de Janeiro, que na época tinha 998 assistidos. Eram jovens que tinham reforço escolar, atividades físicas e alimentação durante o período em que não estavam na escola. É claro que o rendimento na sala de aula e o comportamento em casa melhorou muito para todos eles.
E tudo nasceu com Jorginho, atualmente auxiliar do Dunga na Seleção, que em sua juventude humilde morava em um prédio vizinho ao local onde hoje é o instituto, e certo dia sonhou que sonhou que ali era a Disney. Ele venceu na vida e realizou seu sonho. Não fez a Disney, mas fez muito mais pelas crianças de um dos lugares onde a Cidade Maravilhosa é apenas uma foto no cartão postal. Ali crianças comuns ganham novas oportunidades e ainda podem saborear um delicioso almoço ao lado de verdadeiros ícones do esporte e da vida, que aumentam ainda mais a esperança de dias melhores.
Estes são alguns exemplos de como o esporte pode fazer do mundo um lugar melhor, e não apenas para aqueles que ganham algum ou muito dinheiro com ele, mas também para aqueles que aprendem com ele o valor que tem o respeito, a disciplina, o companheirismo e a força de vontade.
E a dúvida que fica é com relação ao quanto fazemos de fato para que a sociedade seja cada vez mais justa. Não de uma maneira fantasiosa, mas dentro das possibilidades que cada um de nós. Hoje certamente eu vou dormir com essa na cabeça...
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Injuriado

sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A indústria da desinformação no esporte – Parte I

Quando me propus a manter um blog, a intenção não era outra senão falar aos meus amigos sobre o outro lado do esporte e as experiências que ele proporciona a quem trabalha com ele e não é atleta ou profissional de educação física, focando sempre no lado positivo. Acontece que há ocasiões em que se torna impossível não falar sobre o lado negativo. Obviamente sempre há problemas como em qualquer atividade, mas estas de tão comuns a todos os profissionais não merecem destaque. O fato é que o esporte sofre com outras mazelas que lhe são peculiares, e estas são interessantes, sim, para quem é de fora.
A ligação entre o esporte, seu desenvolvimento, manutenção e os meios de comunicação é evidente para qualquer profissional que viva direta ou indiretamente desta atividade, e não menos clara para o público em geral, que se identifica com clubes, atletas, patrocinadores e até com os veículos os divulgam.
Até este ponto não há qualquer novidade, mas por trás de tudo isso muitas vezes a verdade se torna bastante turva para o público, que sofre com desinformação e incoerências constantes, principalmente daqueles que deveriam servir como suporte para seu crescimento.
Falando sobre obstáculos que fazem parte do cotidiano de quem trabalha com marketing esportivo e comunicação, não posso parar de pensar em um que por vezes quase me tira do sério. É o clássico comportamento que ainda não sei se é desalinhado ou hipócrita de alguns veículos que cobrem o esporte e são responsáveis por grande parte do conhecimento do público.
Como pode uma TV, por exemplo, levar atletas aos seus programas e lembrar empresários, no ar, sobre a importância do patrocínio se estes mesmos programas impedem seus convidados de participarem com roupas ou uniformes que remetam ao clube ou aos patrocinadores que os mantêm?
Um exemplo com o qual convivo diariamente é o de TVs que querem a qualquer custo usar um jogador como o Falcão para aumentar sua audiência, mas negam-se a dar crédito às empresas que possibilitam que ele permaneça no Brasil. Se não fossem Malwee, Banco do Brasil e Umbro, entre outras, provavelmente ele não estaria mais aqui para dar audiência a TVs a cabo que transmitem seus jogos quase que semanalmente e a TVs abertas que descobriram no futsal, e muitas vezes mais ainda na figura do próprio Falcão, uma importante ferramenta para garantir bons números em manhãs de domingo. Será que meu raciocínio até agora vem sendo absurdo?
E se começássemos a chamar o time do Corinthians de São Paulo só porque ele é sediado na Zona Leste da capital paulista? Isso soa absurdo? Podemos também pensar na Portuguesa Santista sendo chamada de Santos, já que é daquela cidade. Eu acho que seria bem interessante um jogo entre São Paulo X São Paulo e Santos X Santos. Mas daria mais confusão quando jogassem Corinthians e Portuguesa Santista, porque este jogo seria anunciado como São Paulo X Santos, sem que ao menos um dos dois estivesse em campo. Papo de louco? Isso acontece!
Enquanto uma empresa como a Malwee Malhas, maior do Brasil em seu segmento, investe pesado para mobilizar uma cidade, um estado e um país em benefício de um esporte que não é o rico futebol, há veículos que se negam a mencionar o nome correto de sua equipe, Malwee Futsal, para chamá-la de Jaraguá. E por que não pensar também em sua maior rival, Krona Futsal, que ainda é chamada de Joinville, mesmo depois de mudanças de gestão, de uniforme e tudo mais? Isto sem citar as equipes de vôlei, que passam pelo mesmo problema. O investimento e gestão de equipes esportivas por empresas que também dão a elas seu nome é uma realidade em todo o mundo. Por que aqui tem que ser diferente?
Mas o mais interessante é que quando um time como o Interviù Fadesa, da Espanha, ganha o Campeonato Mundial de Clubes de futsal, seu nome é cantado aos quatro ventos no Brasil, obviamente impulsionado pela ignorância de repórteres e editores, que desconhecem o fato de o Interviù ser uma revista que mantém o time de futsal, o que me faz crer que muitos veículos no Brasil preferem enaltecer o concorrente espanhol a citar o nome de quem é responsável pelo crescimento do esporte em seu próprio país. Ou deveriam chamá-lo de Alcalá de Henares.
Eu vejo toda esta situação com grande tristeza, mas acredito em um futuro melhor para o esporte. Acredito que a audiência aos poucos vai percebendo isto e migrando para veículos que não testam sua inteligência de forma grosseira e promovem desinformação. Ora, se não que falar da Red Bull Racing, para que transmitir Fórmula 1?
Também tenho experimentado o poder da segmentação. Esta tendência, que cada vez mais vem fazendo a cabeça dos profissionais de marketing, é uma forma direta e muito efetiva de comunicação. Tem que ser trabalhada de forma bastante criteriosa e eu diria que é o oposto da “mídia da mãe”. Em veículos segmentados normalmente a seriedade e a profundidade é muito maior. Também tem a relação custo x benefício que, sem dúvida, é muito interessante.
Infelizmente, para quem tem menos conhecimento, e muitas vezes pode ser alguém que tenha poder de decisão em clubes e empresas patrocinadoras, ainda impressiona um programa vespertino dominical, mesmo que todo o seu público alvo esteja na praia esta hora. Mas esta é só mais uma luta que tem que ser travada, entre tantas que devem ser vencidas, para que os profissionais de esporte sejam finalmente reconhecidos e tratados realmente como profissionais.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
No esporte como na vida

De qualquer forma eu tenho considerado estes dias muito interessantes no esporte. O velho e bom Juve ganhou mais uma, desta vez uma pedreira fora de casa contra o Hercílio Luz, e segue consistente rumo ao acesso no Catarinense. Mais uma vez acho que o grande mérito fica por conta do treinador Pingo (aquele mesmo que jogou no Timão no fim dos anos 90, ganhando vários títulos), que tem sido muito feliz em suas ações e mostra cada vez mais ter o grupo na mão.
Mas o que eu achei demais foi a Formula 1. Em uma corrida onde a única coisa óbvia foi a falta de sorte do Rubinho, mais uma vez eu vi a vida retratada no asfalto, agora em Spa-Francorchamps, Bélgica. Quem poderia imaginar na sexta-feira que Raikkonen e Fisico seriam os dois primeiros? E ainda quase deu para o Fisichella ganhar, mas ele vacilou na relargada. Teve tudo para ser uma das maiores surpresas da F1, e de qualquer forma foi chegando em 2º com um carro que até então sequer havia pontuado em 11 corridas. É aquela tênue linha que divide o céu e o inferno mais uma vez se mostrando.
E o Nelsinho??? Estão investigando se ele bateu de propósito! Eu nunca vi uma coisa dessa. E se ele fez mesmo, foi perfeito. Garantiu a vitória do Alonso, seu companheiro de equipe. Ah, e tirou o título do Massa. Batidas propositais já aconteceram entre pilotos, mas contra o muro é uma ousadia inédita e, cá entre nós, estupida demais. Estão dizendo que o cara bateu o carro no muro a sei lá, uns 200km/h para ajudar o outro!!!
Onde está o limite entre o correto e o incorreto? Quando temos que nos voltar contra quem comanda? Pelo que sei até no exército uma ordem absurda não deve ser obedecida. Claro que é muito cedo para se falar qualquer coisa, e eu prefiro acreditar que ele não tenha feito isso até que se prove o contrário, mas se fez e, principalmente, não abriu a boca em todos estes meses, acho que passa a mostrar alguma fraqueza ainda maior, de caráter.
Afinal de contas, até onde podemos ir para alcançarmos nossos objetivos? Eu continuo preferindo ser o otário a ser o esperto. E cada vez mais eu não aguento ver gente se beneficiando da posição que tem em detrimento do bem comum. É o esporte mais uma vez se mostrando reflexo da vida.
Como Ron Dennis e Briatori vimos muitos a cada dia. Seus comandados que dão a cara para bater, assim como no mundo corporativo, muitas vezes não acreditam no que fazem. É como almoçar com executivos de uma companhia de tabaco e, quando perguntados se são fumantes para a escolha do lugar, ouvir os caras responderem “simpatizantes”. O que é isso???? Quem simpatiza com cigarros???? E eu não estou brincando. Já vi isso!
Pois é. Cada vez mais as pessoas se sujeitam a atitudes pouco honradas para viver bem. Como se viver bem fosse uma mera questão financeira. Mas tudo bem....
Enquanto o mundo exterior vai cada vez mais causando espanto, que pelo menos dentro das pistas, campos, quadras, piscinas e qualquer local de competição a emoção sempre seja a grande vencedora no esporte. E algo me diz que para melhorar o meu humor os gênios Falcão e Lenísio vão tirar algum coelho da cartola hoje e me fazer lembrar de tudo aquilo que faz do esporte algo tão especial, pelo menos para mim...
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Mais do mesmo

Quando o li pela primeira vez, acho que na sétima série, nas aulas da Professora Iraí, a mesma para quem apresentei um trabalho sobre a história do rock, que também foi quem agraciou a turma passando "Hair" na aula, achei o texto exageradamente pessimista. Quase vinte anos depois acho mais atual e verdadeiro do que nunca. Aproveite:
Versos Íntimos
Augusto dos Anjos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Quando chegamos ao Km mais difícil
