sexta-feira, 5 de março de 2010

A história construída por um sorriso

Qual é o grande objetivo senão fazer história? História se faz a todo momento, a cada gesto, a cada contato, a cada respiração. Tudo funciona de forma sincronizada. O mundo é uma grande engrenagem em que todos somos responsáveis pelo resultado final.

Esta é a teoria. Igualitária e bonita. Todos fazemos com que a história se construa incessantemente. Mas o que se quer mesmo é “fazer” história. O que cada um quer é ser ator principal de um conto atraente, cheio de vida. Todo mundo quer ser o melhor naquilo que faz e fazer aquilo que faz melhor. Um círculo virtuoso.

Para fazer história em todo o mundo, talvez seja necessário ser Napoleão, Churchill, Pelé. Conquistar o mundo, ou evitar que seja conquistado por forças inimigas. Também pode-se ganhar o mundo sem sair de casa. Logo ali no Maracanãzinho. Vencer uma batalha quase sangrenta. Dar uma gota de suor fundamental para a grande vitória. Sem esquecer que para que os grandes atores brilhem sob os refletores há uma equipe que trabalha muito além dos quarenta minutos finais, e muito além das quatro linhas.

Muita gente deposita seu tempo, sua dedicação e seu talento em uma conquista em que poucos aparecerão. Mas é assim que funciona, e é sabido que para um grande herói sempre há alguns grandes ajudantes, de mesma importância. São os heróis dos nossos heróis. Os anônimos tão importantes para que os campeões sejam campeões no fim das contas.

Mas a história não precisa ser gigantesca, pode ser apenas de uma cidade, uma comunidade, um pequeno grupo de pessoas que jamais esquecerão um momento. A história pode ser feita para meia dúzia de crianças que se aglomeram para tirar uma foto à frente de um ônibus que leva seus grandes ídolos. Ela pode acontecer em uma escola pública, onde pessoas simples dividem tarefas para servir um almoço a quem admiram. Talvez em eventos que se sucedem de forma irracional, quase insalubre, para que pessoas que jamais tiveram contato com o brilho de grandes astros, aqueles que são vistos por todas as partes do mundo, possam ter sua luz refletidas em olhos incrédulos.

Ainda que o propósito nem sempre seja coerente ou nobre. Ainda que as coisas aconteçam por motivos muito distantes do que parecem ser, nada disto importa. O que de fato importa é o que fica. O que realmente importa é a história que cada um escreve, e principalmente a forma como faz com que ela aconteça. A história não se faz com um simples autógrafo, mas com o sorriso e a atenção dispensada a quem admira outra pessoa a ponto que querer uma lembrança tão simples quanto um nome escrito em uma roupa ou um pedaço de papel. A história se faz com o sorriso no momento mais difícil, quando o acúmulo de cansaço ou a dor física impedem que qualquer felicidade se expresse espontaneamente, mais ainda assim, com a força que vem da consciência de sua importância, o sorriso sai.

É assim que se faz história, e estes são os grandes heróis, tanto os que sorriem quanto os que trabalham para que este sorriso aconteça, lembrando por fim, que a história, como as grandes conquistas, constroem-se em pequenas comunidades, fazendo com que pessoas comuns se sintam mais próximas de quem mais admiram.

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