terça-feira, 9 de março de 2010

O irmão mais novo no País do Futebol

É indiscutível a importância do esporte na vida do brasileiro. Apesar de cada um de nós fazer do Brasil o “País do Futebol”, nem sempre é tingido de verde o palco onde rola a emoção. Tampouco é macio como os grandes tapetes gramados dos nossos estádios. E nem sempre o espetáculo é cadenciado, como no balé dos pentacampeões do esporte mais popular do mundo.

A emoção também acontece em pisos rápidos, coloridos, que mais se assemelham às pistas de dança dos clubes onde o ritmo frenético é ditado por batidas fortes e notas que nem sempre entendemos, mas que elevam o espírito a alturas extremas, inimagináveis. Pistas nas quais o suor é o primeiro dos prêmios que está por vir. Democrático, este chega para todos que se esforçam, todos que contribuem. Independe do resultado.

No “País do Futebol”, seu irmão mais novo também conhece os caminhos da emoção. Esperto, ligeiro, sedutor como só ele pode ser. Traz em si o frescor da juventude e a molecagem que no mais velho se via em tempos distantes, de linguagem formal e imagens em branco e preto. Suas traquinagens também atraem milhares de torcedores apaixonados, e embora sua pretensão não seja superar o primogênito em tamanho, ele insiste em ser o mais alegre.

Assim é o futsal. Despretensiosamente maroto, surpreendentemente apaixonante. Nele se constroem reinados, ídolos e lendas. Dele despontam grandes talentos, inúmeras vezes exportados para seu irmão maior, aquele mesmo, que em épocas escuras lembrou ao povo brasileiro que o talento e a força para ser o melhor está dentro de cada um de nós, ainda que tudo leve a crer no contrário. Mas nele também ficam grandes astros, que expõem sua arte a espectadores atônitos frente a tanta habilidade.

Dizem que um bom time começa com um bom goleiro, o que dizer então do time que tem o melhor entre os arqueiros? Como descrever aquele que tem reflexos de felino e flexibilidade acrobática, capaz de levantar uma torcida por evitar um gol, ou dois, ou três? O heróico anti-herói do esporte. E como descrevê-lo, então, se além das mãos, os pés também encontram o parceiro melhor posicionado, ou mesmo a meta adversária? Utópico? Não, Tiago. E ingrata é a tarefa de substituí-lo, ainda que com toda a competência de Marcinho e Bazílio.

Mas justiça seja feita, nem mesmo o melhor dos goleiros, sozinho, pode impedir a derrota. Ele precisa da proteção de seus fiéis escudeiros. Ele precisa de pequenos gigantes, como Leco, ou de batalhadores incansáveis, como Chico. Talvez um pequeno gladiador, de jeito simples, fala mansa e um motor que não pára nunca, como um Lucas. O melhor goleiro merece contar também com a maior experiência, merece um guerreiro que traga no sangue a nobreza enraizada da nossa terra, ele merece a proteção de um Índio.

Para chegar ao ataque, o caminho pode ser a elegância jovem chamada Dian, ou a força inteligente de Bruno Souza. Talvez por meio da timidez que se desfaz nos tiros potentes de Jonathan. Mas por que não a velocidade que leva o mesmo nome e número de um dos grandes gênios dos gramados, como o “7” Bebeto? Ou talvez Valdin, o “filho pródigo”, que parece que nunca foi embora. E claro que todos os caminhos levam ao gol quando se pode contar com um craque instintivo como Falcão.

Lá na frente ficam os demolidores de paredes, aqueles que tiram do adversário qualquer possibilidade de defesa. E a demolição pode vir de forma informal, rápida, provocativa como só Marcio sabe fazer. Ou pode ser sutil, elegante, em lances que muitas vezes desarmam até a torcida adversária, que se rende à genialidade única de Lenísio, o craque que também é mestre na simplicidade.

Assim é o irmão mais novo do futebol. Assim é o futsal. Nele brilham talentos tão grandes, que fazem a inevitável comparação entre os dois completamente sem sentido. Nele brilham jogadores apaixonados e apaixonantes, únicos. Nele brilham equipes que em suas camisas trazem a tradição conquistada ao longo de uma história só dele.

E a Malwee/Cimed Futsal, mais do que uma grande conquistadora de títulos, orgulha-se de dar sua contribuição, e com a quarta conquista da Superliga, escrever mais uma página desta história.

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