sexta-feira, 16 de abril de 2010

Toledo e mais Toledo


Toledo é uma cidade espanhola bem bacana, que fica na província de mesmo nome, em Castilla-La Mancha. Suas tradições remontam aos tempos dos mouros, quando foi capital. Aliás, deixou de ser no fim do Século XVI, quando Madri passou a ser. Pode ser que estas informações estejam erradas, até porque estou sem internet enquanto escrevo e acabo tendo que puxar pela memória, que cá entre nós tem falhado bastante.

 

O fato é que, para quem não conhece, a descrição acima dá uma ideia do estilo desta cidade que fica a cerca de 40 minutos de trem da capital espanhola. História e beleza criada pelo homem em meio a uma paisagem natural deslumbrante. Nos meus sonhos de menino é o que eu realmente chamaria de Espanha.

 

Neste belo lugar estive em 2007, e fica claro aqui o quanto me encantou.  Mas como o destino é um grande fanfarrão, uma semana depois de voltar da Espanha, e que não me ouçam os catalães (sim, eles preferem ser apenas catalães), pois eu estava em Barcelona, me toca cair novamente em Toledo, mas desta vez no Paraná, caminho de Foz do Iguaçu.

 

Não, novamente Toledo não é o destino, mas uma parada, e desta vez não vou negar que com muito menos brilho que o da homônima da “Terra de Cervantes”. De qualquer maneira não me resta dúvida que a surpresa foi positiva ao ver o hotel depois de uma noite mal dormida e cheia de perturbações que em nada tiveram a ver com a estrada, por sinal muito boa.

 

Chegar às 8h00 e dormir, quem me conhece sabe que é inviável, portanto o jeito foi ligar o computador e tentar produzir alguma coisa, ainda que com o ritmo bastante abaixo do mínimo aceitável para quem quer trabalhar com alguma qualidade. Fiquei até com dó da Deise, que teve que falar comigo pela manhã e encontrou um sujeito pouco simpático ao outro lado da linha.

 

O lado positivo é escrever o release de hoje e o post do blog sob a sombra de uma árvore, cujo tipo, raça, nome, sei lá o que, desconheço completamente, mas causa bastante prazer aos olhos, assim como toda a parte externa do hotel, muito bem cuidada e com uma grama que mais parece um carpete verde, na qual aproveito para sujar minha calça neste momento.

 

Isso, sim, é legal. Buscar coisas positivas em meio a conflitos pessoais, insônia, fim de semana de trabalho e todas as angústias, sejam elas pequenas ou grandes, mas que fazem parte de nossas vidas. Se a Toledo do Paraná é bacana? Não sei e provavelmente não vou saber, mas aqui eu me sentei à grama e não me preocupei com as inúmeras formigas que tenho que tirar das minhas pernas, mas apreciei as árvores, flores e pássaros que são seus, e nenhuma outra Toledo em todo o mundo poderá ter. Nem aquela milenar....

 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Caindo pela esquerda


Assim como as pessoas, as cidades precisam de boa vontade dos olhos que a vêem para que deixem aparecer sua beleza e o que realmente são. E por que não dizer o mesmo de clubes de futebol?

Das outras vezes que estive em Barcelona, de uma forma ou de outra foi de passagem, ainda que permanecesse por alguns dias. Barça nunca havia sido meu destino, e de alguma maneira isto tira o foco da estada. Desta vez foi diferente. Apesar de ter coisas a fazer em Amsterdam antes e depois, o foco da viagem sempre foi a capital da Catalunha.

Outra coisa que mudou o panorama completamente foi a proximidade a pessoas que nasceram ou vivem aí há muitos anos e estão diretamente envolvidas com o FC Barcelona. Eu sempre me vi Merengue, apesar de os jogadores brasileiros que vi terem se destacado muito mais no Blaugrana que no Blanco. Vai entender, é gosto.

Acho que fica muito mais fácil explicar minha torcida pelo Madrid confessando aqui uma coisa que quem me conhece um pouco percebe nitidamente, e eu só aceitei realmente nos últimos dias. Eu sou de direita. Sim, eu sou um Tucano. Isto não me envergonha, mas nunca gostei de rótulos. De qualquer forma eu escrevo isto ouvindo Frank Sinatra no avião, voltando de Amsterdam para São Paulo, bebendo um vinho até que bom, e basta eu olhar na tela da TV desligada a minha frente que o meu reflexo na tela não me deixa dizer o contrário.

Bom, por já ter votado no Maluf, no Pitta, FHC, e tantos outros. Por ter torcido para o Jânio e usado sua vassourinha, e porque adorei quando “su majestad el Rey Juan Carlos” mandou o Chaves calar a boca (faltou ele responder: Tá bom, mas não se irrite...), tudo isso me credencia a torcer para o Real Madrid que, joder, é Real, quer mais direita que isso????

Mas desta vez eu tenho que admitir que flertei com o outro lado, e foi demais. E tem ainda um agravante que pode aumentar minha sentença à pena máxima. O ícone do lado de lá é um argentino. Aí está mais um motivo para eu não gostar de rótulos. Eu sinceramente acho que ele é um gênio e ainda tem pelo menos 10 anos jogando futebol em altíssimo nível. Não tenho dúvida de que em sua função é o maior em atividade e dificilmente haverá outro de mesmo nível enquanto ele estiver jogando, mas espera, não dá pra comparar o garoto ao Maradona e ao Pelé. Não tem a menor condição...

Claro que ele pode melhorar muito, e vai, o que já é suficiente para que ele esteja ali brigando entre os melhores. Mas será que as pessoas já se esqueceram do Pelé e do Maradona? Será que ninguém mais se lembra das jogadas estonteantes do nosso Rei do Futebol em espaço e tempo improváveis? Será que ninguém se lembra mais? Ele faria o Einstein repensar sua Teoria da Relatividade. Fazia o improvável e o impossível a qualquer outra pessoa.

E o Maradona? Joder, hombre! Força, habilidade, precisão. Ele era certeiro. E cá entre nós, fazia tudo isto com um estilo de vida que é problema seu, mas altamente discutível para um jogador de futebol. Imagina se ele só tomasse água e se alimentasse bem. Imagina esse homem dormindo bem por uma semana seguida.

Não dá. O Messi não é o Pelé e nem o Maradona, e nunca será. Mas será o Messi. Ele está entrando em um clube no qual qualquer discussão é pura bobagem. O futebol de hoje não comporta os dois grandes gênios do passado, cada qual com seu estilo único. O futebol moderno precisa de um Messi. Um jogador que saber ficar na média quando o time está bem, mas principalmente que sabe ser o melhor de todos quando o time está precisando. Foi isto que ele fez esta semana frente ao Arsenal. O menino marcou apenas 4 gols em um jogo de Champions League. E não foi batendo em galinha morta. Isso é o que se espera do melhor do mundo, que não se acovarde e resolva. Estilo cada um tem o seu...

Eu só acho que é necessário tomar muito cuidado para não cometer com o Messi o mesmo erro que já se cometeu com outros tantos grandes jogadores em todo o mundo, afinal de contas ele é um garoto de 22 anos. De qualquer maneira duvido que isso aconteça.

Só o que eu sei é que às vezes abrir a cabeça para o novo é importante e nós nos esquecemos constantemente disso, mesmo com relação a outros aspectos de nossas vidas. O que eu sei é que provei que o outro lado pode ser bem bacana, e no meu caso foi. Certamente refrescou minha alma e deixou um gosto muito forte de quero mais...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Una semana después....





Bom, claro que esta semana foi uma loucura inacreditável e que eu não escrevi porque não conseguia nem respirar. Também conta o fato de que em um dia com muitas coisas legais e outras nem tanto, o negócio é escrever quando o espírito está leve, e nessa hora eu tenho preferido tomar uma cerveja...rs

A garotada do soccer camp chegou e segue uma programação show de bola, com treinos diários comandados por dois ícones da história do Barça. Um é o lateral De La Cruz, insubstituível em sua posição na década de 70 e que integrou durante um bom tempo a comissão técnica do clube catalão, chegando a dirigi-lo em uma oportunidade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_de_la_Cruz). O outro é Carles Rexach, Charlie, que fazia dupla com o Cruyff no clube e foi seu auxiliar técnico. Depois dirigiu o Azulgrana na temporada 2001/2002. Ele que estava no comando da equipe quando o Rivaldo marcou aquele golaço de bicicleta. Este vídeo tem uma homenagem bem bacana da TV3 (TV Català) http://www.youtube.com/watch?v=8DguQjZedS4, que merece ser vista.

Não preciso nem falar a aula de futebol que é cada comentário desses simpáticos sexagenários. Eles fazem as idéias e esquemas mais complicados parecerem a coisa mais trivial do mundo. E o melhor é que falam com você como se tivesse o mesmo nível deles. Então eu decidi: cara de conteúdo! Quando qualquer um deles ala comigo, e falam pra caramba, talvez assumindo que pelo fato de ser brasileiro eu entenda muito de futebol, eu presto atenção com cara de conteúdo, e quando eles menos esperam, eu faço uma pergunta que sempre me parece ridícula, mas que eles respondem com a maior naturalidade.

Acho que o melhor a se fazer é ter um pouco de humildade e tentar aproveitar o conhecimento deles até onde for possível. Mas o que me consola é ver que tem gente que deveria saber muito mais e também não sabe (que comentário egoísta e infeliz).

Bom, no domingo passado (28) eu assisti ao meu primeiro jogo válido por La Liga. Foi um 0 a 0 entre Espanyol e Racing. Até que o jogo não foi de todo ruim, mas você sempre espera ver gols. Se no empate magro a torcida faz uma baita festa, imagino como é quando saem na frente. Mas eu estou bastante confiante de que esta sensação eu vou conhecer neste sábado, quando vamos ao clássico independentista entre Barça e Athl Bilbao.

O mais legal é que quando você se envolve, e no nosso caso com muita gente do Barcelona, você passa por cima de algumas coisas. Por exemplo, eu sempre fui muito mais Merengue, mas não dá pra sair imune à atmosfera que envolve esta cidade. outra coisa praticamente inimaginável que eu fiz foi na hora de comprar a tradicional camisa de time para o Gi. Comprei a do Messi! Quando eu compraria uma camisa de argentino para o meu fiilho???

Seguindo a minha lavagem cerebral, que é promovida principalmente pelo De La Cruz, ou Tonio, ontem fomos ao treino do Barça. Sim, eles jogaram pela Champions na Inglaterra em um dia e no dia seguinte estavam treinando na Ciudad Deportiva. Claro que estas viagens sempre me fazem lembrar o velho e bom ônibus da Cristal, companheiro de tantas ocasiões, mas no caso deles eu acho que vieram embora de avião.

O mais legal foi ver a disposição dos jogadores para dar atenção à garotada. Todos passaram pelos 3 grupos de garotos que assistiam ao treino. Aliás isso foi um feito do Tonio, até porque ficou bem claro que ali não entra quem quer. E os jogadores foram, um por um, autografando e tirando fotos com os meninos. Outra coisa legal ali é o respeito aos jogadores do passado. Impressionante como as pessoas conhecem, gostam e fazem questão de estar junto, inclusive os jogadores que atuam.

Lá nos encontramos com o grande Julio Alberto, lateral esquerdo titularíssimo, que marcou esse golaço nas quartas da Champions contra a Juve na temporada 86/86 (http://www.youtube.com/watch?v=fdeQWhrum9I). Assim como todos ali, muito solícito, nos levou para um tour nas instalações ao fim do treino da equipe principal. E deste tour saiu a foto que ilustra o post. Tonio, Julio e eu. Sobre o Julio vale ainda ressaltar que, após ter sérios problemas com drogas ao fim de sua carreira, motivados por uma forte depressão, hoje ele é palestrante e participa de projetos que visam a “limpar” quem também sofre deste mal.

Independente do quanto se gosta ou se entende de futebol, um fenômeno muito bacana relacionado a ex-jogadores é que, por mais que haja toda uma parte teórica em tudo o que fizeram, a emoção é sempre muito forte em suas lembranças, e a sensações daqueles momentos acabam sendo muito mais intensas do que qualquer explicação que possam dar. O que eu quero dizer é que sempre que me encontrei e pude conversar com jogadores com estes, ou melhor, ex-jogadores, os olhos deles sempre foram muito mais sinceros do que suas palavras, e a atitude “boleira”, tão comum, já passou, como se caíssem na real depois que tudo aconteceu. Sem tirar os méritos de suas conquistas e, ao contrário, valorizando muito mais por saber que ninguém é tão imbatível quanto muitos pensam que são quando estão na ativa.

Amanhã é o grande dia. Hora de conhecer o Camp Nou em dia de jogo. Já estive lá algumas vezes e sempre minha atenção se dividiu entre sua beleza e a imponência de seu tamanho descomunal para nós brasileiros. São 98.000 pessoas confortavelmente acomodadas em cadeiras. Joder! Mas na verdade a sensação que eu tenho é aquela de quem é acostumado a ver os ursos no zoológico e em um determinado dia se depara com um solto à sua frente. Amanhã é dia de ver esta fera acordar!!!